O
Projeto do Atlas Lingüístico do Estado de São Paulo
O
Atlas Lingüístico do Estado de São Paulo - ALESP
-, segundo Pedro Caruso, seu idealizador, está com a etapa de
inquérito finda, encontrando-se o material gravado em fase de
transcrição fonética''.
O
levantamento lingüístico foi realizado em cem localidades
do Estado, com base no questionário publicado em 1983" e
que se organiza fundamentalmente em duas grandes áreas semânticas
- Terra e Homem. A primeira, com 141 perguntas, subdivide-se em: a)
natureza (fenômenos atmosféricos, astros, tempo); b) flora
(árvores, frutos); c) plantas medicinais; d) fauna. A segunda,
com 161 questões, subdivide-se em: a) partes do corpo, funções,
doenças; b) vestuário, calçados; c) agricultura,
instrumentos agrícolas; d) brinquedos e jogos infantis.
Há,
ainda, seis perguntas sobre lendas e superstições (Boitatá,
caipora, lobisomem, saci, mula-sem-cabeça, curupira) e uma seção
denominada de Experiência Pessoal, constituída apenas da
pergunta 317, que tem por objetivo recolher subsídios para o
estudo das variações morfossintáticas.
Recentemente,
Brian Head, da Universidade de Campinas (UNICAMP), incorporou-se ao
projeto, antes desenvolvido apenas no âmbito da Universidade Estadual
Paulista (UNESP), havendo, portanto, agora, duas matrizes das gravações
efetuadas - a original, em Assis, e a cópia, em Campinas.
Pedro
Caruso, que já incentivara Vanderci A. Aguilera a elaborar o
seu projeto, vem orientando a tese sobre a "Linguagem do Pantaneiro",
de Albana Xavier Nogueira, que, juntamente com outro professor da Universidade
Federal do Mato Grosso do Sul - Valdomiro Vallezi -, parece decidida
a fazer o Atlas Lingüístico de Mato Grosso do Sul. Assim,
em alguns anos, será possível comparar dados e comprovar,
com rigor científico, as observações de filólogos
e lingüistas sobre a ocorrência de determinados traços
lingüísticos nos dois Estados como conseqüência
das entradas e bandeiras que, partindo de São Paulo, iniciaram
o processo de povoamento de Mato Grosso.
Bibliografia: BRANDÃO, Sílvia F. A Geografia Linguística
no Brasil.São Paulo, Ática, 1991.
